STIR/SHAKEN: definição e exemplo na prática
Resposta curta: STIR/SHAKEN é o conjunto de padrões que assina digitalmente o número de origem de uma chamada SIP, para que a rede de destino possa verificar se o identificador de chamadas é legítimo.
Em inglês: STIR/SHAKEN (Secure Telephone Identity Revisited / Signature-based Handling of Asserted information using toKENs)
O que é STIR/SHAKEN?
STIR/SHAKEN é um conjunto de padrões para combater a falsificação do número de origem em chamadas SIP. A operadora de origem assina digitalmente o número de quem liga, e a rede de destino confere essa assinatura antes de entregar a chamada. STIR é a parte do IETF, com os protocolos; SHAKEN é o modelo de uso que define como as operadoras aplicam esses protocolos.
Quatro RFCs formam a base. A RFC 8224 define o cabeçalho Identity, que leva a assinatura dentro da mensagem INVITE. A RFC 8225 define o PASSporT, um token assinado com o número de origem, o número de destino e o horário. A RFC 8226 define os certificados que provam que quem assina tem direito sobre os números. A RFC 8588 acrescenta a extensão SHAKEN, com o nível de atestação e um identificador de origem.
Na verificação, a rede de destino baixa o certificado indicado no cabeçalho, confere a assinatura, checa se o horário é recente e compara os números do token com os da chamada. O resultado pode virar um selo de verificado na tela, um aviso de chamada suspeita ou um bloqueio, conforme a política de cada operadora.
Na prática
Campos principais de um PASSporT com a extensão SHAKEN:
| Campo | Exemplo | Significado |
|---|---|---|
| attest | A | Nível de atestação: A, B ou C |
| orig | 5511345670000 | Número de origem |
| dest | 5521987650000 | Número de destino |
| iat | 1759838400 | Horário da assinatura, em segundos Unix |
| origid | identificador único | Ponto da rede onde a chamada entrou |
Se o token chega com iat antigo ou com um orig diferente do número da chamada, a verificação falha, mesmo com a assinatura correta. Isso evita que um token válido seja copiado e reaproveitado em outra chamada.
Como o Monitor usa isso
O Monitor não assina nem autentica o identificador de chamadas. As chamadas de teste verificam se o número atende, qual foi a resposta SIP final e se o áudio passa. A assinatura STIR/SHAKEN fica com a operadora que origina a chamada. Veja o monitoramento de troncos SIP.
Perguntas frequentes
O que significam as atestações A, B e C?
São os níveis de confiança que a operadora de origem declara, definidos na RFC 8588. A (completa): a operadora conhece o cliente e sabe que ele pode usar o número. B (parcial): conhece o cliente, mas não pode garantir o número. C (gateway): a chamada chegou de outra rede, como um gateway internacional, e a operadora não sabe de onde ela veio.
STIR/SHAKEN impede chamadas com número falso?
Não sozinho. Ele dá à rede de destino uma informação verificável sobre o número de origem e sobre o nível de confiança da operadora que assinou. O que fazer com essa informação, como exibir um selo de verificado, marcar a chamada como suspeita ou bloqueá-la, é decisão de cada operadora. Uma chamada com número falso ainda pode chegar com atestação C.