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SLA de telefonia: como calcular a disponibilidade no ano e no mês

O SLA de um tronco SIP ou de um 0800 é uma conta simples, mas cheia de detalhes que mudam o resultado: o tamanho do período, a manutenção programada, o que conta como queda e a resolução com que se mede. Este guia mostra a conta e cada um desses detalhes.

Resumo

  • Disponibilidade = (período − manutenção − tempo fora do ar) ÷ (período − manutenção) × 100.
  • 99,9% permite cerca de 8 h 46 min fora do ar em um ano de 365 dias, e cerca de 43 min em um mês de 30 dias.
  • No Brasil, o SLA de telefonia costuma ser medido no ano; o mês serve de referência e de alerta.
  • Uma queda só entra na conta se alguém mediu: quanto mais frequente o teste, mais exato o número.
  • Ficar sem visibilidade do próprio monitoramento não é queda do circuito e deve ficar fora da conta.
O que você quer calcular
Disponibilidade de 99,9% em um ano de 365 dias permite 8 h 45 min 36 s fora do ar.
Tempo fora do ar permitido por cada meta de disponibilidade
Período99%99,5%99,9%99,95%99,99%
Ano de 365 dias3 d 15 h 36 min1 d 19 h 48 min8 h 45 min 36 s4 h 22 min 48 s52 min 34 s
Ano bissexto (366 dias)3 d 15 h 50 min1 d 19 h 55 min8 h 47 min 2 s4 h 23 min 31 s52 min 42 s
Mês de 31 dias7 h 26 min 24 s3 h 43 min 12 s44 min 38 s22 min 19 s4 min 28 s
Mês de 30 dias7 h 12 min3 h 36 min43 min 12 s21 min 36 s4 min 19 s
Fevereiro bissexto (29 dias)6 h 57 min 36 s3 h 28 min 48 s41 min 46 s20 min 53 s4 min 11 s
Fevereiro (28 dias)6 h 43 min 12 s3 h 21 min 36 s40 min 19 s20 min 10 s4 min 2 s
Semana1 h 40 min 48 s50 min 24 s10 min 5 s5 min 2 s1 min
Dia14 min 24 s7 min 12 s1 min 26 s43 s9 s

Como calcular o SLA de disponibilidade?

Divida o tempo em que o circuito funcionou pelo tempo em que ele deveria funcionar. Em fórmula: disponibilidade = (período − manutenção programada − tempo fora do ar) ÷ (período − manutenção programada) × 100. O período é contado em minutos, com o calendário de verdade: um ano tem 525.600 minutos (527.040 nos anos bissextos), e um mês tem de 40.320 a 44.640.

O caminho inverso responde à pergunta mais comum na negociação de um contrato: quanto tempo fora do ar uma meta permite. Tempo permitido = (período − manutenção programada) × (100% − meta). Para 99,9% em um ano de 365 dias, são 525.600 × 0,001 = 525,6 minutos, ou 8 horas, 45 minutos e 36 segundos.

A calculadora e a tabela acima usam exatamente essa fórmula. A tabela vale sem manutenção programada; com manutenção, use a calculadora.

Quanto tempo fora do ar cabe em cada meta?

Os números que mais aparecem em contratos de telefonia, em um ano de 365 dias:

Meta Por ano Por mês de 30 dias
99% 3 d 15 h 36 min 7 h 12 min
99,5% 1 d 19 h 48 min 3 h 36 min
99,9% 8 h 45 min 36 s 43 min 12 s
99,95% 4 h 22 min 48 s 21 min 36 s
99,99% 52 min 34 s 4 min 19 s

Cada “9” a mais divide o tempo permitido por dez. A diferença entre 99,9% e 99,99% é a diferença entre uma tarde inteira fora do ar e menos de uma hora no ano. Antes de assinar uma meta alta, vale perguntar como ela será medida: uma meta que ninguém mede é só um número no contrato.

O que conta como tempo fora do ar?

Essa é a parte que o contrato precisa dizer, e muitas vezes não diz. Para um circuito de voz, as situações que costumam ser tratadas como indisponibilidade são:

  • a chamada não completa: a operadora recusa com um código SIP de falha, como SIP 503 ou SIP 404, ou não responde;
  • a chamada completa sem áudio, em um ou nos dois sentidos: para quem liga, um 0800 mudo está fora do ar;
  • a mensagem errada atende: a URA trocada, ou a gravação da operadora dizendo que o número não existe;
  • a qualidade de voz cai abaixo do combinado: alguns contratos tratam isso como indisponibilidade parcial, outros como uma meta separada.

E o que normalmente fica fora da conta:

  • manutenção programada, avisada e dentro da janela combinada;
  • falhas causadas pelo próprio cliente, como um PABX desligado na filial, quando o contrato é com a operadora e o defeito não está nela;
  • o tempo em que o monitoramento ficou sem visibilidade por um problema dele mesmo. Um teste que não pôde ser feito não diz nada sobre o circuito, e não pode virar indisponibilidade.

Quem mede precisa separar essas situações, e o relatório precisa mostrá-las. No Monitor, um período em que o teste não pôde ser feito por um problema do lado da 2N5 sai da conta e aparece separado.

SLA anual ou mensal: qual vale?

O que o contrato disser. Na telefonia corporativa brasileira, é comum a meta de disponibilidade ser anual, e os números de cada mês servirem de referência. As duas medidas contam histórias diferentes:

Meta anual Meta mensal
O que tolera Um mês ruim, se o ano fechar dentro da meta Nenhum mês fora da meta
Tempo permitido em 99,9% 8 h 45 min 36 s no ano 43 min 12 s em cada mês de 30 dias
Quando a multa é calculada No fechamento do ano Todo mês
Para que o número mensal serve Para agir antes que o ano estoure É o próprio SLA

Um exemplo: um tronco fica 6 horas fora do ar em março e nada no resto do ano. Na meta mensal de 99,9%, março estourou (6 horas contra 44 minutos e 38 segundos permitidos em um mês de 31 dias). Na meta anual de 99,9%, o ano fechou em 99,932%, dentro da meta.

Por isso os relatórios do Monitor mostram os últimos 12 meses como o número que decide o SLA, e o mês e os últimos 30 dias para referência.

Como descontar a manutenção programada?

Tire a manutenção do período antes da conta, dos dois lados da fração. Um mês de 30 dias tem 43.200 minutos; com uma janela de manutenção de 4 horas (240 minutos), o período que conta passa a ter 42.960. Se o circuito ficou mais 30 minutos fora do ar fora da janela, a disponibilidade é (42.960 − 30) ÷ 42.960 = 99,930%.

Dois cuidados:

  1. A janela precisa estar registrada antes, com início e fim. Uma “manutenção” declarada depois da queda é só uma queda.
  2. O que passa da janela é queda. Se a manutenção marcada para terminar às 4h terminou às 5h30, a hora e meia extra entra no tempo fora do ar.

No Monitor, uma janela de manutenção cobre os circuitos escolhidos num horário marcado, e as falhas desses circuitos durante a janela não abrem incidente.

Como medir o tempo fora do ar de verdade?

Com um teste que veja o que o cliente vê, numa frequência compatível com a meta. Dois erros comuns tornam o número do SLA sem valor:

  • Medir o equipamento, não a chamada. Um PABX ligado e um tronco registrado não provam que uma chamada completa com áudio. O tempo fora do ar só é real se o teste for uma chamada real.
  • Medir pouco. Se o teste acontece a cada hora, uma queda de 40 minutos pode passar sem ser vista, e o SLA sai melhor do que foi. Para uma meta de 99,9% ao mês, que tolera 43 minutos, o intervalo entre testes precisa ser bem menor do que isso.

No ritmo padrão do Monitor, cada circuito recebe uma chamada de teste a cada 15 minutos. Quando uma falha, a chamada é repetida três vezes, a cada 2 minutos; quatro falhas seguidas abrem um incidente, e duas chamadas boas seguidas confirmam a volta. Assim, o início e o fim de cada queda ficam marcados com poucos minutos de margem, e uma oscilação isolada não entra no SLA.

O que pedir no contrato com a operadora?

Antes de aceitar uma meta, combine por escrito:

  1. o período de medição (ano ou mês) e o fuso horário;
  2. o que conta como indisponibilidade: só falta de completamento, ou também chamada muda e qualidade abaixo do limite;
  3. como a manutenção é avisada e qual a janela máxima;
  4. quem mede, e como: a medição da operadora, a sua, ou uma medição independente;
  5. qual evidência vale para abrir uma contestação: horário, número chamado, código SIP e causa Q.850 de cada falha.

O último item é o que mais pesa na hora de cobrar. Uma queda registrada com o código SIP e a causa Q.850 de cada chamada de teste é difícil de contestar; uma queda percebida por um cliente que reclamou, não.

E o atendimento ao consumidor?

Para os SACs dos setores regulados, a disponibilidade não é só uma questão de contrato. O Decreto nº 11.034/2022 exige que o acesso ao SAC fique disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, por pelo menos um canal, e torna obrigatório o atendimento por telefone. Para as prestadoras de telecomunicações, o Regulamento Geral de Direitos do Consumidor da Anatel (Resolução nº 765/2023) pede o atendimento telefônico disponível 24 horas. Medir a disponibilidade do 0800 é a forma de mostrar que essas regras foram cumpridas.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula do SLA de disponibilidade?

Disponibilidade é o tempo em que o serviço funcionou dividido pelo tempo em que ele deveria funcionar, em porcentagem: (período − manutenção − tempo fora do ar) ÷ (período − manutenção) × 100. Um tronco que ficou 60 minutos fora do ar em um mês de 30 dias, sem manutenção, teve 99,861% de disponibilidade.

99,9% de disponibilidade é quanto tempo fora do ar?

Em um ano de 365 dias, 8 horas, 45 minutos e 36 segundos. Em um mês de 30 dias, 43 minutos e 12 segundos. Em uma semana, 10 minutos e 5 segundos. Em um dia, 1 minuto e 26 segundos.

SLA anual ou mensal: qual é melhor?

Depende do contrato. A meta anual tolera um mês ruim desde que o ano feche dentro dela; a mensal pune cada mês ruim. Na telefonia corporativa brasileira é comum a meta ser anual, com o mês acompanhado para referência e para agir antes que o ano estoure.

Manutenção programada conta como tempo fora do ar?

Normalmente não, se ela foi avisada com a antecedência que o contrato pede e ficou dentro da janela combinada. Ela sai do período antes da conta. Uma manutenção que passou da janela conta como queda a partir do momento em que a janela terminou.

Como medir o tempo fora do ar de um 0800?

Ligando para ele em intervalos curtos e registrando quando as chamadas param e voltam a completar. A precisão depende do intervalo: com uma chamada a cada 15 minutos e novas tentativas a cada 2 minutos depois de uma falha, o início e o fim da queda ficam marcados com poucos minutos de margem.

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